Helena Minginowicz pinta obras pessoais utilizando e retratando materiais descartáveis

Olhar para as pinturas de rostos humanos em cabeças de pássaros, travesseiros de gatinhos fofos e cavalos com lágrimas de mangá de Minginowicz deixa o observador com a sensação de estar assistindo a um texto de um amigo sobreposto na parede de uma galeria, mas, para o artista, isso é apenas um subproduto da observação da vida hoje em dia.

“Não podemos escapar da linguagem da Internet; ela agora é o nosso alfabeto emocional”, diz Minginowicz. “Às vezes, uma hashtag ou emoji expressa mais do que um ensaio inteiro.”

“Eu não insiro tendências intencionalmente em minhas pinturas… mas também não as filtro. Eu absorvo o mundo, percorro, observo, analiso. Então, sim, a internet se infiltra em meu trabalho, através de cores, gestos, distorções, falhas. O humor, ou melhor, o absurdo amargo, emerge dessa saturação.”

Mas a verdadeira inspiração de Minginowicz? É muito mais antigo do que a Internet: “Manuscritos iluminados da Idade Média e do início da Renascença, códices alquímicos e pinturas em miniatura (são) cheios de humor selvagem e ironia”, diz ela. “Nádegas tocando trombetas, homens com cabeças de animais, animais dominando humanos ou partes de corpos desmembradas, cada uma expressando estados de espírito diferentes sem restrições. Estas são obras surpreendentes onde o humor se mistura com o mistério, muito mais intrigantes do que os memes de hoje.”

SIM, A INTERNET ENTRA NO MEU TRABALHO, ATRAVÉS DE COR, GESTO, DISTORÇÃO, FALHAS. O HUMOR, OU MELHOR, O ABSURDO AMARGO, EMERGE DESSA SATURAÇÃO.”

Para criar suas pinturas, Minginowicz diz: “Eu oscilo entre a excitação alta e o hiperfoco silencioso. Esses dois estados fluem constantemente um no outro. Não consigo ficar suspenso entre eles por muito tempo. Faz sentido; algo precisa realmente me comover, me manter emocionalmente agitado, para que eu mergulhe completamente em um assunto, a ponto de me fundir com ele. Gosto de estar all-in, duzentos por cento.”

Quando está animada, Minginowicz diz que reúne materiais, como notas visuais, fragmentos literários, emoções que está vivenciando e música. Quando está concentrada, ela diz que fica em silêncio, “um profundo processamento interno. Trabalho horas a fio sem perceber o tempo passar. Nunca é suficiente”.

Quando termina de reunir e está pronta para pegar no aerógrafo, Minginowicz diz: “Nesta fase, as emoções são menos explosivas, surge em mim uma espécie de clareza, acompanhada por uma aceitação da incerteza. Porque está sempre lá, o desconhecido. Tento não ter pressa.”

E quando ela precisa relaxar ou recarregar as energias? “Essa é uma questão complicada. Muitas vezes tenho dificuldade para me concentrar em uma única atividade”, diz Minginowicz. “Normalmente preciso de algo rítmico para meu corpo fazer, que permita que minha mente relaxe. Então procuro maneiras de combinar os dois. Cozinhar, por exemplo, com o tipo certo de filme sendo exibido ao fundo, é incrivelmente relaxante para mim. Geralmente algo que já vi centenas de vezes [laughs]. Não se trata do enredo, mas da atmosfera. Quando quero muito me desconectar, procuro lugares imersos na natureza, como as montanhas. O ritmo da escalada me ajuda a abandonar a narrativa cotidiana.”

Essa rotina intensa valeu a pena nos últimos anos para Minginowicz. Só em 2025, ela fez exposições em toda a Europa e na América: “Este ano foi intenso e estou extremamente grata por isso. Acabei de abrir uma exposição individual na Prima Galerie em Paris. A seguir serão exposições coletivas em Hesse Flatow em Nova York e Yusto Giner em Marbella. Depois, no outono, terei mais duas exposições individuais – uma na Galeria Lotna em Varsóvia e a última do ano no Centro de Arte Contemporânea em Torun. Será dá muito trabalho, mas estou muito animado.”*

Este artigo aparece na edição 74 da Hi-Fructose. Obtenha a edição completa aqui.

Credit Post By: Jessica Tagami

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