Punks Git Cut: a arte de Jay Howell

Olhando para os personagens que Howell desenha – em um auto-descrito “estilo solto e estranho” que ele desenvolveu quando ia a shows punk na Bay Area nas décadas de 1980 e 1990 e entrou na cultura zine – o espectador sente uma essência áspera, alegre, afiada e travessa que permeia os personagens, mesmo quando eles às vezes expressam a tristeza, a frustração ou o tédio que todos nós experimentamos. Quando questionado se ele sempre buscou um tema abrangente de retratar a condição humana, Howell brincou: “É tudo sobre mim. Sério, se você não se dedica inteiramente ao trabalho, então não é sobre você, então tento colocar o máximo de mim possível nisso. Não gosto de fazer arte política ou algo assim. Estou bravo, como você: só não quero desenhar sobre isso o dia todo. Estou louco o suficiente, e arte é algo que me traz alegria, então gosto de separar.”

Desenhar pessoas e animais – principalmente cães, pelos quais Howell claramente sempre teve uma queda (“Eu adoro o amor que eles têm para lhe dar, sabe? Sempre amei. É puro.”) – isso ajuda a trazer essa alegria a Howell. Mas ele atribui seu sucesso ao espírito punk DIY que Howell habita e vive até hoje.

Veja a história original de seu envolvimento no Bob’s Burgers: “Eu estava trabalhando em uma cafeteria em Mission (em San Francisco), e um amigo meu me apresentou a esse cara, Loren (Bouchard, o criador do Bob’s Burgers), que vinha tomar um café todas as manhãs e disse: ‘Esse é o cara que produziu o Dr. zines de venda livre, e acabamos de desenvolver um relacionamento. Loren gostava dessa arte estranha e solta na época, e isso também era minha praia.

A partir daí, Howell trabalhou nos curtas do You Tube Forest City Rockers, sobre uma gangue de motociclistas com uma motocicleta, que chamou a atenção de Audrey Diehl, então na Nickelodeon, e levou a uma proposta de sucesso para a série animada Sanjay e Craig, que durou três temporadas. Nesse meio tempo, Howell sempre se movia, desenhava e viajava.

“VOU PELO PAÍS FAZENDO RETRATOS EM FESTIVAIS DE GRAÇA, FAÇO ZINES E ENTREGO DE GRAÇA (OU CINCO DINHEIROS), PORQUE AINDA TENHO O SANGUE FUGAZI EM MIM.

Hoje em dia, Howell está conversando com o pessoal da Bento Box Productions sobre algumas novas ideias para a televisão, mas, como fazia em sua época de cafeteria e zine, ele persiste em apresentar seu trabalho para o máximo de pessoas que pode, só para ver o que funciona, e isso inclui ele mesmo telefonar aleatoriamente para empresas, mesmo que elas estejam fora de sua casa do leme. “Acabei de fazer algo para a Chipotle e adoro trabalhar para empresas como a Vans ou qualquer coisa que se encaixe naturalmente no meu estilo, como skate ou surf, tipo de vibe. Mas, quero dizer, vou ligar para empresas que você não acha que necessariamente se encaixariam naturalmente, só porque. Vou ligar para Hermes ou Chanel. Por que não? Você tem que tentar porque não sabe o que vai funcionar.”

Para Howell, divulgar o trabalho ao mesmo tempo significa mantê-lo acessível a todos: “É minha ética punk DIY. E sempre tento manter meu trabalho acessível, tipo, eu poderia vender algo por uns trinta mil dólares, mas nunca farei isso, e ando pelo país fazendo retratos em festivais de graça, e faço zines e os distribuo de graça (ou tipo, cinco dólares) porque ainda tenho o sangue Fugazi em mim.

“Não quero vender um desenho de trinta mil dólares. Prefiro fazer um mural de trinta mil dólares que sirva à comunidade. Odeio coisas como Burning Man, onde você passa o ano todo fazendo essa obra de arte cara que só pessoas ricas que podem pagar ingressos caros para ir ao deserto e fazer parte de uma cena podem ver – esse não é meu estilo.” Prefiro ter algo sólido na comunidade que todos possam desfrutar para sempre.”*

A próxima exposição individual de Jay Howell será inaugurada em janeiro na 111 Minna Gallery de São Francisco. Procure prévias deles aqui.

Este artigo foi publicado originalmente na edição 74 da Hi-Fructose. Obtenha uma cópia impressa da edição completa aqui.

Credit Post By: Jessica Tagami

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