A presença deles está implícita. Eles construíram estruturas que desafiam a gravidade a partir de carrinhos de compras, jornais empilhados e madeira compensada. Penduraram roupa suja e deixaram latas de cerveja amassadas espalhadas pelas superfícies, mas os verdadeiros temas das pinturas de Álvaro Naddeo nunca são vistos. Na instável pilha de lixo (representada com detalhes meticulosos) há uma implicação de adaptabilidade, de impulso para a frente. Algumas dessas estruturas são móveis, empilhadas em pequenas scooters ou carrinhos de comida, outras têm várias salas e eletrônicos reaproveitados. Embora estranho no todo, Naddeo – que trabalha com publicidade há décadas – baseia seu trabalho no instantaneamente reconhecível: uma placa da Coca-Cola, um saco de hambúrguer In-N-Out, uma caixa de Frosted Flakes. Este é um mundo que já foi familiar – um retrato hiper-realista de uma existência distópica. Se prestarmos atenção, é um aviso.
Naddeo funciona em um processo de várias etapas que começa no resumo e termina na página. “Sou autodidata, por isso venho desenvolvendo um processo há cerca de dez anos”, explica ele. O sistema é fluido, sujeito a adições e subtrações. No momento, Naddeo está experimentando um aerógrafo, algo que pode ou não ser uma adição permanente. Ele sempre começa com uma ideia. Ao contrário de alguns artistas que dependem de um caderno de desenho, Naddeo mantém seus pensamentos em post-its e papéis aleatórios. Assim que nasce uma ideia, ele passa para o computador, onde começa a formular a composição por meio de um software 3D. “A parte 3D não é a mais difícil, mas é a que demora mais”, explica. “Também é importante observar que esta parte serve apenas para perspectiva e proporções. Não envolve cor, textura ou luz. São apenas caixas cinzas.”
Do software, o Naddeo faz a transição para o Photoshop, às vezes trazendo referências fotográficas para elementos como logotipos de marcas ou letras. Depois de satisfeito com o esqueleto da composição, ele passa para a página, onde aplica cor, textura, luz e sombra. “Não estudo nem planejo muito as cores”, diz ele. “Sei que alguns artistas estudam versões, eu não. Apenas começo a pintar, sentir e encontrar as cores certas.” Seu meio preferido são as aquarelas, um material pelo qual ele não esperava se apaixonar. Quando começou a pintar, Naddeo ainda morava na cidade de Nova York e procurava uma saída criativa. Seu apartamento era minúsculo e ele precisava de um meio de expressão artística que fosse simples e exigisse o mínimo de limpeza. “Todo o meu estúdio artístico caberia em uma gaveta”, diz ele sobre sua incursão inicial na aquarela. “Era apenas um bloco de papel tamanho carta, um pequeno conjunto de tintas e três pincéis.”
Embora a aquarela fosse uma escolha conveniente na época, acabou se tornando seu material preferido. “Há uma tendência de muitos aquareladores de pintar cenas muito etéreas e oníricas; as técnicas e temas às vezes podem ser semelhantes ou repetitivos”, explica. Eventualmente, porém, ele descobriu que a aquarela era tátil e flexível, capaz de expressar textura e profundidade melhor do que alguns outros meios pelos quais ele havia se sentido atraído anteriormente. “Com a aquarela, dependendo da quantidade de água que você usa e de como você aplica as cores, ela pode ser muito orgânica e ter vida própria. Ela cria uma textura muito parecida com o que acontece na natureza. Começo permitindo que seja imprevisível, mas depois volto e corrijo e faço com que fique como eu quero.”
às vezes é mais a ironia da publicidade, de como você pode dizer uma coisa, mas o que realmente acontece é o oposto.”
Credit Post By: Emilie Murphy